3.2.12

Fanfarra e Cesto de Samson.

Prezados Amigos,

Vejo que muita gente, dos mais heterogênicos extratos sociais e culturais, recebeu com entusiasmo e, por que não dizer, com certo sentimento de revanche, a decisão em que o STF “manteve a competência do CNJ”.

Isso é bem compreensível quando da parte de pessoas sem familiaridade com questões jurídicas. É de se compreender, pois, que quem somente tenha contato com o tema por intermédio da mídia rasteira, muito mais afeita ao sensacionalismo inconsequente do que à análise serena e exposição isenta dos fatos, sinta, nesse momento, o gosto da desforra contra um “Judiciário tão viciado”.

Mas, sinceramente, é de se alarmar quando homens e mulheres de notório saber jurídico aderem ao “oba-oba” de setores da sociedade que pouco, ou quase nada, conseguem alcançar da complexidade da questão e da profundidade e amplitude das consequências, que decisão de tal importância possui.

Surpreende-me, mesmo, a forma intemperada e irrefletida com que diletos Colegas Advogados, alguns, inclusive, Representantes da Classe, Magistrados e outros Operadores do Direito, têm se reportado ao caso. Hão festejado referida decisão como se ela representasse um golpe certeiro, a sabre de luz, no manto opressor do “Lado Negro da Força”! E quando não tão visceral, a comemoração toma ares de torcida desportiva, tipo, Ceará 5 X 1 Tiradentes; CNJ 6 x 5 Corregedorias etc...

No entanto, o mais grave ver os operadores do direito, cujo prestígio social repousa no apurado senso crítico e tradicional temperança, deixem-se turva o discernimento pela fanfarra dos que manipulam a opinião pública desse país e não se deterem, sequer um minuto, sobre o aspecto da decisão que desobriga o CNJ de motivar os seus atos e permite que ele escolha arbitrariamente a reclamação que irá atende, convertendo referido órgão num verdadeiro Tribunal Révolutionnaire.

E o que me resta é advertir aos que tomam parte nessa fanfarra, cuidado com o cesto de Samson, pois, a julgar pelo que vejo, não tarda e o CNJ começará a admitir reclamações também contra advogados, promotores, jornalistas, blogeiros, médicos, contabilistas, porteiros, cléricos, atletas etc...

Nenhum comentário: