31.1.12

Vaquejadas, vamos refletir um pouco...

Prezados Amigos,

Tenho visto nas redes sociais uma campanha aguerrida contra as vaquejadas. Com discurso inflamado, denuncia-se a existência de maus-tratos aos animais e se protesta pelo fim das mesmas...

Mas, sinceramente, quem já observou atentamente o que ocorre numa vaquejada? Quem tem dados objetivos sobre o grau de maus-tratos sofridos pelos animais? Ou quantas vezes cada um deles é usado num evento, ou qual a periodicidade do uso? Quem tem esses dados de forma objetiva e confiável?

E, por outro lado, porque não nos insurgirmos contra à prática da montaria? Será que os cavalos também não sofrem por passarem a vida servindo de montaria? E as corridas de cavalo? E os bois de arado? E as mulas de tropa? E todos os animais dos Zoológicos? Quem já refletiu sobre o ofício do jumento de carga? E sobre o da galinha, seja de quintal, seja de granja? E os pobres cães domésticos castrados, ou, simplesmente, privados de uma vida sexual por opção de seus donos e, não, sua? E o pobre do gato que é “espada” e, constrangedoramente, tem que andar de laço no pescoço e talquinho no bumbum? Quem já não tomou conhecimento dos lamentos dos Saltimbancos de Chico Buarque?

Veja-se bem, a prática do vaqueiro está presente no Ceará, desde o Brasil colônia! E muitos dos movimentos e manobras executados nas vaquejadas, são práticas do dia-a-dia do vaqueiro! O que, além de ofício, é uma tradição do homem forte e valente do Sertão. É um patrimônio cultural, muitas vezes, mal compreendido porque não se tem a verdadeira dimensão dos valores que representa. É condenado por quem, com todo respeito, não conhece da cultura local e repete um discurso pasteurizado e impregnado de valores elitistas das “forças ocultas” que operam na tentativa de impor modelo cultural alienígena.

Gente boa, eu não como a carne de nenhum animal, nem terrestre, nem aquático, nem anfíbio, etc. Sou vegetariano convicto! Não crio animais em cativeiro, nem domésticos. Adoto conduta ativa contra maus-tratos a qualquer ser vivo. Mas tem uma coisa, que também nos é cara, que é a tradição; é a identidade cultural de nossa gente; que deve ser, igualmente, protegida; igualmente, preservada. Creio que não se deve condenar a prática pela ação de maus praticantes. Seria como condenar a prática do Futebol, por que há jogadores maldosos que comentem faltas criminosas. Se há excessos, coíba o excesso, não a prática.

Acho salutar a discussão sobre o assunto; discutir até que ponto essa tradição é razoável e deve ser preservada. Apontar excessos. Nada está imune à reflexão. Isso é primado básico da evolução social. Mas, se se quer discutir o assunto, que sejam observados outros pontos de vista e que sejam declinados argumentos fundamentados, sólidos, sóbrios, e, não sentimentalismo pueril arrimado em chavão e lugar comum, ou em "notícias de ouvir falar", em que prevalece uma visão maniqueísta e reducionista, a do "bem contra o mal".

É isso aí, amigos, minha intenção é apenas fazer um contraponto de idéias. Fraterno abraço a todos.