25.5.12

OAB, ATO CÍVICO E DESMORALIZAÇÃO

 
Prezados Amigos,

Eis a constatação do que tenho dito!

Hoje, por volta das 14:45, cheguei ao Fórum Clóvis Bevilaqua para fazer o protocolo de uma inicial, como normalmente faço algumas vezes por mês.

Na entrada, vi as cruzes deixadas pelos colegas que participaram do "ato cívico" promovido pela OAB/CE pela manhã.

Já tinha visto as fotos, nas redes sociais, e vi que compareceu certo número de advogados, os quais, a julgar pelas fotos, gritavam palavras de ordem com entu...siasmo.

Mas quando chego ao saguão de entrada, vejo logo algumas cadeiras enfileirada barrando a entrada do protocolo.

Aproximei-me um pouco mais e comecei a entender a situação; mesmo que sem querer acreditar no que via, dei-me conta de que o protocolo estava com o atendimento paralisado, porque os serventes estavam, no meio do expediente, às 15:00, da quarta-feira, lavando o chão da respectiva sala de espera.

Ou sejam, mal os colegas da OAB/CE terminaram o protesto contra a situação caótica em que se encontra a prestação jurisdicional em nosso Estado e, no meio do expediente, no meio da semana, o Administrador Público ordena a suspensão de um serviço essencial de atendimento ao Advogado.

Escárnio, remoque, avacalhação, desrespeito, tudo cabe aí. Manda o Administrador uma mensagem clara! Com isso, diz ele, que o "ato cívico" de nada lhe diz, em nada lhe toca!

E tudo isso é só um reflexo da Desmoralização e do Descrédito que abala a Instituição, que é um dos pilares da nossa Democracia, mas cujos dirigentes insistem em guiar como se estivessem à frente de um Grêmio Estudantil ou de uma OGN "bicho grilo"!

Todos, repito, todos, já sabiam que o "ato cívico" não iria surtir o menor efeito prático, que serviria apenas de palanque eleitoreiro; só não esperávamos, que a prova cabal disso viesse a tona tão rapidamente.

Dói! Dói muito tomar da palavra pra evidencia esse estado de desmazelo! O desgosto, o desânimo, a descrença, bate à minha porta, devo confessar...

Mas não vou calar, não vou cessar, não vou parar, até que a nossa Gloriosa Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ceará - com todas as letras - recobre do seu Status Altivo e Independente, reassumindo a sua Dignidade constitucionalmente erigida.

E, já que os Dirigentes da OAB/Ce recalcitram na inércia material; já que eles se negam peremptoriamente a tomar uma atitude SÉRIA, nos termos da lei, vou procurar outras instâncias, vou bater às portas da Associação Cearense dos Advogados, pois tenho certeza que, lá, não impera a apatia.

Por fim, sugiro que vejam o pequeno vídeo que fiz na tarde de hoje, no Fórum, para verem o que eu vi.

Fraterno abraço a todos os colegas.

http://www.youtube.com/watch?v=9K0zQIjWbQ8

OAB, BASTA DE MISE-EN-SCÈ

Prezados Amigos,

Diz a chamada: faltam 2 dias ...

No entanto, esquece-se de falar dos dias que sobram...

Esquece-se dos 365 dias que sobram desde a última vigília da OAB contra o apagão do Judiciário, que não surtiu o menor efeito.

Esquece-se dos mais de 730 dias de inércia da OAB que sobram desde os primeiros atrasos das obras no Fórum Clóvis Beviláqua.

Esquece-se dos mais de 1100 dias que sobram sem análise técnica do projeto da reforma em comento, etc.

Isso, sem falara nos 5 dias em que se tenta acertar no uso da crase sem sucesso.

De fato, não há dias faltando, mas, sim, dias sobrando, e muitos!

Vejam só, não se desconhece do valor político que atos públicos possuem e que, em certas circunstâncias, eles são muito apropriados e surtem efeitos positivos.

Mas o que tenho visto está longe de ser atos verdadeiramente políticos, no sentido nobre da palavra.

O que vejo é a OAB portar-se como ONG de segunda que abraça "movimentos" inexpressivos, sem substância, sem discurso e sem objetivos.

Ora, sejamos honestos! Quais as reais perspectivas de esse "ato cívico" surtir algum efeito?

Rogo a Deus estar errado, mas não há a menor expectativa de que ele traduza resultados concretos, podendo, no máximo, provocar o anúncio do "fim da indignidade" que nunca acabará, à moda das "bilheterias"!

E disso, todos os que encabeçam o "movimento" estão plenamente cientes!

Vou além, estão cientes eles, também, de que só o manejo de um instrumento jurídico de força coercitiva, tal como a Ação de Improbidade, poderia ter algum efeito a essas alturas.

Mas isso não convém, pois desagrada ao Poder Político vigente, o que pode prejudicar os interesses profissionais e eleitorais de muitos!

Em verdade, referido ato não passa de mais uma "mise-en-scène" para a imprensa e a sociedade, pela qual, desavisadamente, muitos colegas advogados se deixam levar.

O que, por fim, induz à indagação inimaginável outrora:

Será que nós advogados nos deixaremos fazer de massa de manobra, sem discernimento, nem senso crítico, nesse jogo de politicagem?