13.6.12

OAB, Macacos, Bananas e Cultura Antidemocrática...


 Prezados Amigos,

E por falar em João Penca (vide post anterior), que nos lembra “como macaco gosta de banana”, veio-me à lembrança um experimento feito com macacos e bananas, mais ou menos assim...

Colocaram numa jaula cinco macacos, uma escada, acima desta, um apetitoso cacho de bananas pendurado no teto, acessível apenas por meio da escada. Sempre que algum dos macacos subia na escada para pegar bananas, os outros quatro... recebiam um jato d’água fria de alta pressão.

Logo os símeos estabeleceram a relação causal entre subir na escada e pegar bananas e o banho frio. Isto é, que pegar bananas produzia como conseqüência banho gelado, dessa forma os macacos que ficavam embaixo passaram a punir com uma bela surra aquele que se aventurasse a subir na mesma. Passadas algumas surras, nenhum deles mais se atrevia a tentar pegar as bananas, embora disponíveis ao alcance de qualquer um deles.

Quando esse condicionamento já estava bem estabilizado, começou a segunda fase do experimento: os cientistas substituíram um daqueles cinco macacos e extinguiram os banhos de água fria.

O resultado imediato foi que o novo indivíduo foi imediatamente se servir das bananas e, quando desceu da mesa, levou uma grande surra! Embora não houvesse mais banhos, os macacos ainda surravam quem subisse na escada. Rapidamente, esse novo membro do grupo concluiu que as bananas geravam um grande desconforto e abandonou as tentativas, embora nunca tenha visto uma gota de água sequer.

Sucessivamente, os cientistas passaram a substituir cada um dos outros quatro indivíduos, um por um, do grupo original, que tinham tomado banho frio e que começaram a aplicar as surras. Até que cada novo membro tivesse aprendido a não mais pegar as bananas e também, a surrar aquele que tentasse subir na mesa.

Quando finalmente todos foram substituídos, observou-se que os cinco macacos presentes na jaula, ainda que nunca tivessem tomado banho frio, mantinham o hábito de surrar qualquer um que tentasse pegar as bananas, e por si mesmo, nenhum deles mais arriscava subir na escada.

Estava assim concluído o experimento de condicionamento.

Porém, se lhes fosse dado o discernimento de responder as razões das surras que davam em seus semelhantes quando subissem na mesa, crio que não saberiam responder ou, se nisso se aventurassem, diriam que, até onde eles sabem, é assim que as coisas sempre foram feitas por aqui!

Tornou-se cultura daquele pequeno grupo surrar quem subia na escada porque aprenderam isso! (texto base: wikipedia, em 13.06.2012).

Aí, certamente o Amigo vai me objetar, sim é daí, o que isso tem com a OAB com sua Cultura Antidemocrática sugerida pelo título do texto?

Digo eu então, tudo! Se não vejamos...

Nos últimos dias vimos perplexos o Presidente do Conselho Federal da OAB tomar satisfações, ao vivo, de um Conselheiro, pelo fato de o mesmo ter se manifestado na impressa sobre a pouca transparência nos procedimentos contábeis e eleitorais (basicamente) da Ordem.

Vimos também a violenta reação do Presidente diante da reiteração das manifestações do referido Conselheiro, no que foi seguido pelos outros membros do conselho, sob o argumento de que os assuntos “interna corporis” devem fica restritos à Entidade.

Ou seja, o Conselheiro ousou subir na escada e foi violentamente repreendido pelos seus pares!

E o pior é que vemos muitos colegas apoiando a atitude autoritária do Presidente e do Conselho contra o Conselheiro, isso, sem, nunca, terem tomado um banho de agua fria.

Agora, se se perguntasse a todos por que agiram assim, por que os assuntos “interna corporis” devem fica restritos à Entidade, não é difícil calcular que responderiam que “é assim que as coisas sempre foram feitas por aqui!”

No entanto se procurássemos um “Macaco Velho” que tivesse acompanhado o início da formação dessa regra, certamente, obteríamos uma resposta um pouco mais satisfatória.

Esse “Macaco Velho”, tendo vivido os anos terríveis da ditadura, em que, muitos Conselheiros arriscavam suas vidas por simplesmente exporem seus pontos de vista contra o regime Militar, diria que tal regra era, então, necessária para garantir, vejam só a ironia, a liberdade de expressão do Conselheiro, que pelo menos dentro do recinto da Entidade, poderia se manifestar com a segurança de que suas palavras não o incriminariam diante do poder político vigente. Era outro contexto! Era outra situação!

Diante disso, verifica-se facilmente que, assim como aconteceu com os macacos do experimento, a regra que inicialmente fora criada para a proteção de todos, converteu-se em instrumento de legitimação da violência contra liberdade do indivíduo, no caso da OAB, liberdade de expressão.

E mais, também fica patente a enorme influência dos líderes sobre a sua comunidade. No caso dos macacos, os mais novos no experimento acompanharam o comportamento dos mais velhos incondicionalmente. No caso da OAB, os demais Conselheiros e os Advogados seguiram, sem esboçar mínima reflexão sobre os fundamentos, a prática do Presidente do Conselho Federal.

E isso é replicado no âmbito local! Sendo que, para ficar num único exemplo, testemunho entristecido o nosso querido Presidente Dr. Valdetário compartilhar, aqui mesmo no facebook, imagens com dizeres “diga não a crítica fácil” e ser imitado por diversos colegas com ares de superioridade moral.

O que, na impossibilidade de se determinar objetivamente o que seja “crítica fácil”, em verdade, equivale a jogar-se nessa vala todas as críticas, sejam pertinentes ou não. Isso, sem a menor reflexão sobre o valor das críticas no Estado Democrático de Direito.

Colegas, Amigos,

Tenho que já é hora de pararmos de imitar comportamentos sem nos perguntar o porquê das coisas!

Tenho que já é hora de nossos dirigentes refletirem sobre as consequências e a coerência de seus atos enquanto líderes!

Tenho que já é hora de rompermos com os Dogmas irrefletidos, subirmos na escada do discernimento e comermos as bananas da Democracia!


p.s. enquanto isso podemos ir escutando a música ... http://www.youtube.com/watch?v=uTAwYMxUYf4

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